quinta-feira, 22 de julho de 2010

Na sala de entrevista

A sala cheia, o silêncio eminente, a única coisa que se escuta é a respiração e o barulho do grafite riscando o papel e tornando mera folha em vida e arte.
Todos tensos, cara fechada, apreensivos, menos eu. O doce barulho do grafite salva minha alma de todo esse estado de tensão, liberando adrenalina no papel e afastando toda forma de ânsia.
Rápido, rápido, risca, risca, escreve que a qualquer momento alguém entra chamando seu nome e te afasta do doce louvor que é o grafite cantando em sintonia com sua alma no timbre do papel.
Espera um momento, estão todos te olhando, pensam: "o que faz essa doente menina, que não para de escrever no papel?". Desinformados , olham com especulações e curiosidade, não sabem que não é apenas escrever no papel, é extravassar, é compor, é ser e estar...
Porque quando me torno texto, sou perfeita, sou poesia, sou eu... E nada mais prazeroso que ser e estar comigo, nada mais prazeroso que escrever.
Um barulho surge na porta, ergue a cabeça, é seu nome que chamam. Quarde o grafite, se afaste do papel e agora não mais com as mãos, mas com os labios, rompe o silêncio sordido da sala de entrevista e sorri, e transborda para o mundo a alma-texto, narrada e não escrita, vivendo intensamente o que logo se tornará poesia e canção.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pequeno Principe

Pequeno Principe
Que em minh'alma é mistério
Quando vejo você
Até me desespero

Doce segredo
Se revela em um beijo
Tão inusitado
Quanto imaginario

Brincadeira de criança
Prende em minha lembrança
Minha fantasia
Manifesta sua magia

Tento entender
CFico sem saber
Como pôde acontecer
Algo assim então nascer

Tão especial
Totalmente irracional
Sonho de criança
Atormenta minha lembrança

Pequeno principe, me entorpece
E aos poucos adormece
Vem me procurar
Em meus sonhos me encontrar

Noites sem luar
Vem me ressaltar
Como é bela minha criança
Singela esperança

Discrepância acentuada
Insegurança enfatizada
Sonhos de verão
Enlouquecem o coração

Ir sem se entregar
Voar sem se jogar
Respirar sem inalar
Pular e não saber nadar...

Muito divertido
Peito repartido
Confunde a razão
Pequeno principe adormecido em meu coração!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

o.0

Aos 14 anos escrevi com alma e sem lógica, como tudo que há em mim, mas a lógica logo me veio e a coesão ao que estava escrito também, deixando tudo conexo, menos o titulo....


Mil palavras reprimidas
E nenhuma eu recito
Em meu peito me machuca
Sentimentos Oprimidos

Tantos pensamentos
Tantos sentimentos
Que já não consigo
Administrar esse tormento

Canto, grito, falo, clamo
Enquanto em meu mundo vou delfinhando

Meu peito apertado me atormenta
Te chama, diz que te ama,
Minha mente racionando fica me alertando
Que não posso gostar tanto assim
Que nunca fará parte de mim

Sentimentos aos teus olhos futeis e bobos
Que me devoram feito lobo
Foge de mim a imortalidade
Foge tudo que me fazia sobreviver em meio a realidade

Esta me oprimindo
Me machucando
Estou ate me transformando
Em algo patetico e imbecil
Vos clamando na imensidão
Mas é tudo tão inutil, pois só uma coisa se escuta
A decepção!!

Mas quem se importa com a dor alheia
Se os proprios a semeia?
Pra mim canta, me encanta
Depois some, me consome
Como uma simples brincadeira
Como se tudo fosse besteira

Talvez pra você que não entende
Que acha que sou nada, me maltrata
E ainda se sente

Respiro fundo, guardo meus mais sordidos pensamentos
E mais uma vez, por amar, me encontro ao relento
Fecho os olhos, voô alto
Prometi, não vou descer do salto...

E aqui me encontro
Um poeta pobre
De rimas podres
E sentimentos de temores

Será essa minha sina?
E vejo ali escrito:
"Jaz aqui mais essa menina
Que acreditou no infinito
E morreu do modo mais bonito
Pobre, suja e feia
Mas com o amor correndo em suas veias"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

...

Amor...
Palavra usada sem sentido, explicação ou coesão para explicar um carinho intenso. Amor é vida, amar é viver, porque assim como a palavra e o sentimento amor, vida não tem sentido, explicação ou coesão, apenas acontece, é sentida e manifestada.
As pessoas têm medo do amor, do amar; as pessoas têm medo de viver. Às vezes sentir ira, odio, orgulho e soberba acomoda seu ego, te faz sentir forte, onipotente e te leva para o caminho contrario; destroi o que você sente de verdade, mas a falsa sensação de segurança, de invulnerabilidade se juntam com sua cobardia, alimentando seus medos e te afastando do que você mais quer, do amor, da vida, do amor à vida.
Fique calmo, alguém te ama, eu te amo, pois amo a vida e o que nela existe. Tenho superado meus medos e visto que amar não machuca, o que machuca nossa alma é o medo de amar e a ânsia incessável pelo retorno.
O amor não retorna, o amor propaga, expande, constrói, edifica; o amor acalanta, preenche e se faz vida. Hoje digo: estou completa, porque estou transbordando esse amor, essa vida, sem nada querer em troca a não ser amar.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pedaço colorido de uma vida preto e branco

As coisas sempre muito bem definidas, planejadas, controladas, tudo preto no branco. Planejamento à curto, médio e longo prazo, com prespectivas e retornos, até jogarem um balde de tinta e deixar uma bagunça colorida.
Cores de sentimentos estranhos, alienados e contraditórios à tudo que estava definido e planejado, cores jogadas avassaladoramente em uma vida preto e branco.
O vermelho que acelera o coração, que impulsiona; o azul que traz calmaria e segurança; o roxo que faz sorrir com uma estabilidade inexistente; o amarelo ouro, bem claro, que ao mesmo tempo que faz sonhar, desespera por deixar enxergar o preto e o branco e o quanto aquela confusão de cores embaçam e pode te fazer perder o foco. Então você enxerga a cor marrom que tráz com ela todos os medos e o cinza que te confunde, em um universo de cores e sentimentos.
Aquelas malditas cores, totalmente opostas à tudo, era tudo que você não queria, que não precisava, mas é tudo que te faz repirar e sua cabeça girar nesse momento. Tudo que você não queria e o que mais deseja, um paradoxo, como tudo que há em você, como o pedaço colorido de uma vida preto e branco.