A pragmática das simbologias das coisas consideradas sem ênfase na arte, no canto e na simplicidade da vida, nos traz um apelo em busca de um novo panorama.
Vivemos mentiras e procuramos focos únicos para nos agarrarmos com um tampão nos olhos, assim não enxergamos a sutileza dos protestos civis para mudar nosso quadro social.
Sabemos que existe a miséria, má distribuição, violência, caos e tantas outras patologias que assolam nossa sociedade nos dias de hoje. Mas o que fazemos para mudar isso?
Quero que fique em nossa consciência que tudo o que fazemos ou deixamos de fazer, influencia diretamente no quadro social global.
Quando aceitamos sermos submissos ou omissos à situação, perdemos nossos diretos por "largar o remo" e deixarmos o "barco a deriva"! Contribuindo, assim, para as coisas serem da forma que são.
As grandes revoluções ocorrem atraves das pequenas atitudes, que todos nós temos condições de fazer.
Não basta não fazer - não roubar, matar, sonegar, praticar o mal - é necessário agir!!
Ajudar as pessoas pela simples condição de ser-humano, se unir, protestar, executar, sair do papel, não aceitar, defender a vida... Mesmo que o seu ideal custe a sua.
Sem a dedicação, ação, postura e disciplina nós sucumbiremos à alienação e aquilo que nos é imposto, mesmo que não gostemos. e o pior é que cada um, em seu íntimo, será e é responsável pelo que vivemos e vivenciaremos.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Suadades - Clarice Lispector
Saudade é...
um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Lispector
sábado, 5 de maio de 2012
Máscara da dor, com um sorriso cintilante
Ensandecido, gritando e sangrando se encontra agora.
Pelo desejo inerente de te ter ao lado
E a certeza avassaladora de que isso não é mais possível.
Sabendo que gritar não adianta nada.
Ecoa na solidão versos malditos,
que prometem seu esquecimento e meu alento.
Sem mais coragem de lutar ou cara pra seguir,
Em um estupido sonho, num desejo vivido como se fosse realidade,
Como se um dia fosse verdade.
Em dias felizes lutei contra correntezas, crenças e mim mesma.
Por um amor que via puro e mais forte que o infinito
Acreditei que seria o amor do mais bonito
Aquele de novela e cinema, onde o happy end entra em cena.
Quantos versos por ele já não fiz?
Quantos sorrisos sinceros vieram a eclodir?
Vivo de um passado incrédulo, distante e finito
Fingindo não me importar, como a grande e forte garota de sempre
É difícil de acreditar que tudo morreu,
De aceitar que aquele sonho não aconteceu.
Gritos de dor em silêncio ecoam agora
Ainda tenho que disfarçar a minha gloria.
Mostrar à todos como sou feliz,
Como superei já que meus gritos eu sufoquei.
Tenho que colocar minha máscara da dor,
com um sorriso cintilante.
Pelo desejo inerente de te ter ao lado
E a certeza avassaladora de que isso não é mais possível.
Sabendo que gritar não adianta nada.
Ecoa na solidão versos malditos,
que prometem seu esquecimento e meu alento.
Sem mais coragem de lutar ou cara pra seguir,
Em um estupido sonho, num desejo vivido como se fosse realidade,
Como se um dia fosse verdade.
Em dias felizes lutei contra correntezas, crenças e mim mesma.
Por um amor que via puro e mais forte que o infinito
Acreditei que seria o amor do mais bonito
Aquele de novela e cinema, onde o happy end entra em cena.
Quantos versos por ele já não fiz?
Quantos sorrisos sinceros vieram a eclodir?
Vivo de um passado incrédulo, distante e finito
Fingindo não me importar, como a grande e forte garota de sempre
É difícil de acreditar que tudo morreu,
De aceitar que aquele sonho não aconteceu.
Gritos de dor em silêncio ecoam agora
Ainda tenho que disfarçar a minha gloria.
Mostrar à todos como sou feliz,
Como superei já que meus gritos eu sufoquei.
Tenho que colocar minha máscara da dor,
com um sorriso cintilante.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Metade
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a bocaPorque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longeSeja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervorApenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infânciaPor que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saibaE que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a bocaPorque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longeSeja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervorApenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infânciaPor que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saibaE que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
sábado, 30 de julho de 2011
O de todas minhas manhãs...
SALMO 5

1 Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor; atende aos meus gemidos.
2 Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois é a ti que
oro.
3 Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento
a minha oração, e vigio.
4 Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem
contigo habitará o mal.
5 Os arrogantes não subsistirão diante dos teus olhos; detestas a
todos os que praticam a maldade.
6 Destróis aqueles que proferem a mentira; ao sanguinário e ao
fraudulento o Senhor abomina.
7 Mas eu, pela grandeza da tua benignidade, entrarei em tua casa;
e em teu temor me inclinarei para o teu santo templo.
8 Guia-me, Senhor, na tua justiça, por causa dos meus inimigos;
aplana diante de mim o teu caminho.
9 Porque não há fidelidade na boca deles; as suas entranhas são
verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto;
lisonjeiam com a sua língua.
10 Declara-os culpados, ó Deus; que caiam por seus próprios
conselhos; lança-os fora por causa da multidão de suas
transgressões, pois se revoltaram contra ti.
11 Mas alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente,
porquanto tu os defendes; sim, gloriem-se em ti os que amam o
teu nome.
12 Pois tu, Senhor, abençoas o justo; tu o circundas do teu favor
como de um escudo.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Mudança
A vontade de mudar o mundo se defronta todos os dias com a vontade de mudarmos nós mesmos.
Como sermos mais tolerantes para aceitar a diferença dos outros? Não é isso que julgamos nas outras pessoas?
Ah sim... O parametro que os outros usam são diferentes, são mais, como posso dizer, fanaticos? Mais intolerantes? Mais segregadores?
Acho que não. Existe diferença em pequena mentira e grande mentira?
E quando se mente pouco, podemos exigir total verdade?
Então por qual motivo, quando segregamos e somos intolerantes com "pequenas coisas" exigimos, dos outros, que não façam o mesmo?
Tudo muito complexo, ainda não tenho uma resposta pronta para dar.
Apenas reflito e acredito que antes de tudo devemos tentar mudar a nós mesmos. Mudar o que enxergamos nos outros e não concordamos mas que existe dentro de nós.
Claro, somos seres humanos e mediante à isso não conseguiremos 100% aplicar essa regra. Mas se nos impormos isso como filosofia de vida conseguiremos mudar muitas coisas no mundo, inclusive nós mesmos.
Como sermos mais tolerantes para aceitar a diferença dos outros? Não é isso que julgamos nas outras pessoas?
Ah sim... O parametro que os outros usam são diferentes, são mais, como posso dizer, fanaticos? Mais intolerantes? Mais segregadores?
Acho que não. Existe diferença em pequena mentira e grande mentira?
E quando se mente pouco, podemos exigir total verdade?
Então por qual motivo, quando segregamos e somos intolerantes com "pequenas coisas" exigimos, dos outros, que não façam o mesmo?
Tudo muito complexo, ainda não tenho uma resposta pronta para dar.
Apenas reflito e acredito que antes de tudo devemos tentar mudar a nós mesmos. Mudar o que enxergamos nos outros e não concordamos mas que existe dentro de nós.
Claro, somos seres humanos e mediante à isso não conseguiremos 100% aplicar essa regra. Mas se nos impormos isso como filosofia de vida conseguiremos mudar muitas coisas no mundo, inclusive nós mesmos.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A flor e a náusea
Para aqueles que nunca leram a oportunidade de conhecer, para aqueles que já leram e gostaram a oportunidade de se deliciar novamente e para aqueles que leram e não gostaram a incrivel possibilidade de rever seus conceitos.
Poema escrito por Drummond durante a segunda guerra mundial, que por acaso do destino, ou não, se reflete e impera nos dias de hoje. Um dos meus favoritos.
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me''?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia.
Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
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